Archive for janeiro, 2008

Ciclo 8 – Cinema Italiano

Written by on jan 30 2008 | programação

O Cineclube Beloca em Fevereiro homenageia o cinema italiano. Serão três exibições, sendo uma surpresa.


Amarcord
12/02/08 (Terça-feira 20h) no Theatro Municipal, Pça. da Catedral s/n
Amarcord
Federico Fellini
Itália / 1973 / cor / 127 min

Através dos olhos do personagem Titta, o diretor Federico Fellini revê a sua vida familiar, a religião, a educação e a política dos anos 30, época do fascismo.
Fala dos sonhos de um outro mundo, sonhos alimentados pelos turistas de um hotel de luxo, por um transatlântico que por ali passa, pelo cinema e pelo início do fascismo.
Entre os personagens estão o pai e a mãe de Titta; um padre que escuta confissões só para dar asas à sua imaginação anti-convencional; Gradisca, a mulher da tabacaria; Volpina, a ninfomaníaca; o tocador de acordeão cego, entre outras personalidades do povoado.
É um filme discreto e sereno, com momentos poéticos, irónicos, plenos de sensibilidade e com uma alegria comedida.

Ganhador do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1975


Ladrões de Bicicleta
19/02/08 (Terça-feira 20h) no Theatro Municipal, Pça. da Catedral s/n
Ladrões de Bicicleta (Ladri di biciclette)
Vittorio de Sica
Itália / 1948 / pb / 93 min

O filme que retrata a Itália no pós-guerra e é um dos maiores exemplos que ilustram o neo-realismo italiano. Dirigido por Vittorio de Sica, foi o longa-metragem que ganhou o Óscar de melhor filme estrangeiro, que ainda não era uma categoria própria.
No filme, é apresentada a situação de muitos italianos que, depois da guerra, estavam desempregados. Antonio Ricci (Lamberto Maggiorani) é um deles até o dia em que consegue um emprego como prendedor de cartazes. Entretanto, para conseguir o trabalho, precisava de uma bicicleta, o que o fez penhorar objetos de casa para conseguir uma. A trama se desenrola a partir do fato de que a sua bicicleta é roubada no primeiro dia, e ele, junto com seu filho Bruno (Enzo Staiola) a procura por toda Roma. O drama é capaz de transportar o expectador para a situação vivida por Ricci de maneira tão forte que os sofrimentos são refletidos em quem assiste.
Um dos filmes mais premiados na história, fez parte do Neo-realismo, que mostra os medos e fraquesas que todo homem tem.
As atuações são espetaculares e o curioso é que todo o elenco foi formado por operários italianos.


26/02/08 (Terça-feira 20h) no Theatro Municipal, Pça. da Catedral s/n
Filme surpresa
A Desconhecida

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Ciclo 7 – Cinema Brasileiro

Written by on jan 11 2008 | programação

Atendendo às indicações do público, o cineclube Beloca promove, durante o mês de janeiro, mostra de cinema brasileiro.
São 6 filmes enfocando os diversos momentos da cinematografia brasileira: realismo pré cinema novo, cinema novo, cinema marginal, cinema da retomada e cinema contemporâneo. Filmes raros, de grande brilhantismo criativo.
Uma boa oportunidade para conhecermos, também, um pouco mais da nossa história recente.

assalto ao trem pagador
15/01/08 (Terça-feira 20h)
Assalto ao Trem Pagador (1962/102 MIN)
Roberto Farias
Pré Cinema Novo

deus e o diabo na terra do sol
16/01/08 (Quarta-feira 20h)
Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964/125 MIN)
Glauber Rocha
Cinema Novo

Bandido da Luz Vermelha
23/01/08 (Quarta-feira 20 h)
Bandido da Luz Vermelha (1968/92 MIN)
Rogério Sganzela
Cinema Marginal

Bang Bang
24/01/08 (Quinta-feira 20h)
Bang Bang (1970/93 MIN)
Andrea Tonacci
Cinema Marginal

INVENÇÃO SEM LIMITES

Marcus Mello*

Poucos filmes brasileiros são alvo de um culto tão apaixonado entre os cinéfilos como Bang bang, de Andrea Tonacci. Uma obra concebida sob o signo da irreverência e da liberdade, Bang bang forma, ao lado de O Bandido da luz vermelha (1968), de Rogério Sganzerla, e O pornógrafo (1970), de João Callegaro, a grande tríade metalingüística do cinema paulista produzida na virada dos anos 1960 para os 1970, fortemente inspirada pela obra de Jean-Luc Godard. Era o cinema moderno realizando-se em sua plenitude no Brasil, no auge da ditadura militar.

Nascido na Itália e radicado em São Paulo desde 1953, Andrea Tonacci implode a narrativa clássica em Bang bang, construindo seu filme através de longos planos-seqüência, que encantam pelo insólito das situações, pelo humor e pelo rigor da construção. A trama, ou fiapo de trama, acompanha um homem (Paulo César Pereio) perseguido por três bandidos (um deles travestido) pelas ruas de Belo Horizonte. A influência de Godard manifesta-se de todas as formas em Bang bang, seja pela citação direta ou pela incorporação de elementos estilísticos caros ao diretor franco-suíço, como a preferência pelos travellings ou o uso da metalinguagem. O filme apresenta uma série de seqüências fechadas em si próprias, sem ligação aparente com o que vem a seguir e freqüentemente repetidas com leves alterações, à maneira de variações musicais. O uso recorrente da canção Eu sonhei que tu estavas tão linda, cantada pelos personagens em diferentes momentos da narrativa, acentua esse caráter de composição musical identificado na arquitetura de Bang bang.

Filme de cinema, em que a presença da câmera várias vezes é revelada ao espectador, seja através do reflexo em um espelho ou de um personagem chocando-se contra a lente, Bang bang é um tiro mortal no coração dos acomodados e sem imaginação. Sua invenção não tem limites, provocando momentos da mais alta diversão, dignos de um filme de aventura como Hatari (1959), de Howard Hawks, citado de forma explícita numa das tantas cenas antológicas deste clássico da transgressão.

Já Bla bla bla… é um notável exemplar do cinema político brasileiro. Esse média-metragem realizado por Andrea Tonacci em 1968 contrapõe imagens de arquivo e seqüências encenadas de um grupo de guerrilheiros em ação ao discurso de um político (Paulo Gracindo) diante das câmeras de televisão. A afirmação de Maiakóvski de que não existe arte revolucionária se a forma não for revolucionária aplica-se com perfeição a Bla bla bla…, um pequeno grande filme que, a seu tempo, anunciou os anos de chumbo a serem enfrentados pelo Brasil depois do AI-5, mas consegue ainda hoje permanecer assustadoramente atual.

Marcus Mello: crítico de cinema, é editor da revista Teorema (RS) e colaborador das revistas Aplauso (RS) e Cinética (RJ). Programador da Sala P. F. Gastal, cinema mantido pela Secretaria Municipal da Cultura de Porto Alegre


Terra Estrangeira
29/01/08 (Terça-feira 20h)
Terra Estrangeira (1995/100 MIN)
Walter Salles Junior
Cinema da Retomada

lavoura arcaica
30/01/08 (Quarta-feira 20h)
Lavoura Arcaica (2001/163 MIN)
Luis Fernando de Carvalho
Cinema Contemporâneo

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