Ciclo 44 – Cesare na Mostra de São Paulo 2011

Escrito por em 30 jun 2011 | .

Curadoria: Cesar Rodrigues

05-07-11 – Gainsbourg – O Homem que Amava as Mulheres – (Gainsbourg (Vie héroïque)) 2010 – Joann Sfar- 130 min – França

Cinebiografia do ícone musical francês Serge Gainsbourg desde seu nascimento em 1940 até sua morte em 1991, dirigido pelo cineasta francês Joann Sfar. O longa retrata a vida de Gainsbourg desde sua juventude nos anos 40, em uma Paris ocupada pelos nazistas, até à sua transformação em compositor, cantor e poeta mundialmente conhecido.

A história de Serge Gainsbourg é de um jovem judeu e tímido poeta que vaga por Paris e que deixa para trás suas pinturas e seu quarto para deslumbrar as platéias de clubes noturnos e tomar o mundo com seu talento nos turbulentos anos 60. É uma vida “heróica”, onde as criaturas de sua cabeça ganham corpo na tela, e sua eloquência combina com seus escandalosos casos de amor com lindas mulheres como Brigitte Bardot e Jane Birkin. Desses elementos nasce um trabalho subversivo que cresce e agita o mundo inteiro.”

O filme foi premiado na cerimônia de entrega do César 2011, nas categorias: Melhor Ator para Eric Elmosnino, Melhor Primeiro Filme e Melhor Som.


12-07-11 – Exit Through the Gift Shop – 2009 – Bansky – 87 min – EUA/ Reino Unido

Exit Through the Gift Shop: A Banksy Film é um dos mais fascinantes filmes sobre arte já realizados.
O documentário, dirigido pelo artista de rua Banksy, narra a surpreendente história, supostamente real, de Thierry Guetta, um videomaker francês vivendo em Los Angeles que é convidado a registrar os expoentes da street art, (que diferente de pinturas a óleo sobre tela ou outras obras feitas para durar, tem vida curta), com o intuito de realizar um filme sobre eles. Porém, depois de acompanhar Banksy e outros artistas ao longo de meses, Guetta, cujos filmes são inassistíveis, decidiu tornar-se ele próprio um street artist. De registrador ele passa a ser o registro.

A segunda metade da produção acompanha os preparativos para a grande exposição de Mr. Brainwash, alardeada pela mídia depois que uma citação fora de contexto do próprio Bansky é empregada na divulgação. E o risível artista subitamente toma de assalto o mundo das artes, gerando milhões…
Acompanhar o processo “criativo” de Guetta, que assume a alcunha Mr. Brainwash, é uma mistura de fascínio e ojeriza. O emergente artista enche um galpão com telas e gravuras, monta suas próprias reinvenções da Pop Art, cria reproduções “exclusivas” de sua obra dirigindo um velocípede enquanto besunta tinta sobre elas e espalha rios de spray por qualquer superfície sem conceito ou direcionamento. O ex-videomaker claramente não sabe o que está fazendo, tanto que contrata outras pessoas, talentosos designers e ilustradores, para realizar sua exposição sob sua alucinada direção. Especula-se que a história toda seja uma grande farsa criada por Banksy. É tudo perfeito demais, engraçado demais. A própria natureza contestadora do trabalho de Banksy, que critica de maneira bem-humorada a sociedade e o governo, seria indício dessa peça que ele, agora como cineasta, teria pregado no mundo das artes.

Mas independente da veracidade ou não do documentário, o filme cumpre o que se propõe: inicia um debate sobre a arte nos dias atuais. Documentários fake, que misturam elementos de realidade e ficção, tentando fazer com que o espectador não perceba a linha entre a verdade e a mentira, são mais do que uma tendência dos últimos anos, e se consolidam como um dos principais tons do século 21.
O filme venceu 15 festivais na Europa e nos EUA como melhor documentário e foi foi indicado ao Oscar na mesma categoria..


19-07-11 – Tio Boommee que pode se recordar de sua vidas passadas (Loong Boonmee raleuk chat) – 2010 – Apichatpong Weerasethakul – 114 min – Tailândia/França/Inglaterra/Alemanha/Espanha/Holanda

Em Tio Boonmee, que Pode Recordar suas Vidas Passadas, dirigido pelo cineasta tailandês Apichatpong Weerasethakul, filho de médicos que como em filmes anteriores realimenta a sua fixação pela medicina moderna versus o poder de cura do tempo. O diretor também adora janelas, mas, como tudo em seus filmes, uma janela nunca é só uma janela e em Tio Boonmee, a primeira a aparecer é a janela de um carro.
Tio Boonmee (Thanapat Saisaymar), que sofre de insuficiência renal, viaja com sua irmã, Jen, até a casa na floresta onde deseja passar os seus últimos dias. Na estrada, Jen abaixa o vidro do passageiro e, com os sons de fora, invadem o carro, absorvidos pela lente da câmera, os primeiros raios de sol da manhã.
Boonmee está prestes a morrer e reúne sua família em sua fazenda onde recebe visitas de fantasmas e relembra suas vidas passadas.

O filme ganhou o festival de Cannes em 2010 na categoria de melhor direção e outros 5 prêmios em festivais pelo mundo.


26-07-11 – O Mágico (L’illusionniste) – 2010 – Sylvain Chomet- 80 min – França/Reino Unido

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