Ciclo 19 – Cinema Novo Alemão

Escrito por em 25 nov 2008 | .

Esse ciclo, que tem a curadoria do Breno Juz, apresenta filmes dos principais expoentes do Novo Cinema Alemão durante seu auge na década de 70. Influenciados tanto pelos cinemas novos que surgiam pelo mundo na década de 60, quanto pelo ambiente de reconstrução da Alemanha do pós-guerra, Rainer Werner Fassbinder, Wim Wenders, Werner Herzog e Volker Schlöndorff produziram filmes em que a culpa pelos erros passados ecoa em uma atmosfera fria e cruel.
O ciclo seleciona obras que definem as características próprias de cada cineasta.
O retrato da Alemanha da década 1950 e as hipocrisias do pós-guerra são desenhados por Fassbinder em O Casamento de Maria Braun.
A atração de Wim Wenders pela viagem como busca de uma identidade, as amizades limitadas dos companheiros de jornada, e seu fascínio pelos EUA aparecem no road movie Alice nas cidades.
Herzog, com sua fascinação pela natureza, pela experiência humana e pelo desequilíbrio psíquico dos homens, é bem representado com Coração de Cristal.

E a maestria de Schlöndorff em transpor obras literárias para as telas da sétima arte aparece em OTambor, um dos maiores sucessos internacionais do Novo Cinema Alemão, ganhador da Palma de Ouro em Cannes (1979) e do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro (1980).


06/01/09 terça-feira

20h – Sala Dilo Gianelli – Theatro Municipal

O Casamento de Maria Braun

Rainer Werner Fassbinder

Alemanha Ocidental/1979/120 min

Sobre o diretor:

Nascido em 1945 em Munique, Rainer Werner Fassbinder teve uma vida rápida e atribulada. Famoso por sua adoração pelo álcool e diversas drogas, em apenas 16 anos de carreira dirigiu 44 filmes, antes de morrer de overdose prematuramente em 1982, aos 37 anos de idade. Um dos mais importantes nomes do cinema alemão, Fassbinder foi incrivelmente versátil em sua carreira, além de diretor, atuava, escrevia roteiros, compunha trilhas sonoras, e também cuidava da fotografia, da produção e da edição de seus filmes. Como diretor, seus trabalhos englobam a crítica social, o preconceito e experiências pessoais, quase sempre com toques de sensualidade.

O filme acompanha a ascensão social de Maria Braun (Hanna Schygulla) no pós-guerra e, através da sua busca pra refazer seu casamento, comenta a reconstrução da Alemanha.
Durante a Segunda Guerra Mundial, Maria e Hermann Braun se casam apressadamente, mas ficam juntos menos de 24 horas porque Hermann precisa voltar à frente de batalha. Ao final da guerra, ele é dado como desaparecido. Maria se emprega em um bar, conhece um soldado americano e fica grávida. Certa noite, Hermann volta para a casa e a surpreende com o soldado. Enfurecido, ele os agride e acaba sendo preso. Pouco depois, Maria vai trabalhar para um homem de negócios, sendo sua secretária e confidente. Ao sair da prisão, Hermann decide tentar a sorte em outro país. Alguns anos mais tarde, ele e Maria se reencontram e procuram esclarecer seu trágico passado.

13/01/09 terça-feira

20h – Sala Dilo Gianelli – Theatro Municipal

Alice nas Cidades

Wim Wenders

Alemanha Ocidental/1974/110 min

Baseado nas primeiras viagens de Wenders às Américas, conhecemos o personagem Philip Winter, jornalista alemão que vai para os Estados Unidos para fazer algumas reportagens. Ele não consegue, tendo que voltar para a Alemanha. Só que o aeroporto está fechado, e ele só consegue passagem para o dia seguinte. Ele conhece uma mãe e uma filha na mesma situação, com quem divide seu quarto em um hotel. Quando acorda na manhã seguinte, a mãe da menina foi embora e ele assume de vez o papel paterno da jovem Alice.
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20/01/09 terça-feira

20h – Sala Dilo Gianelli – Theatro Municipal

Coração de Cristal

Werner Herzog

Alemanha Ocidental/1976/93 min

Sobre o diretor:

O nome de batismo de Herzog é Werner Stipetic, e ele nasceu em Munique, em 5 de setembro de 1942. Aos 14, já estava decidido a ser um cineasta, adotando o sobrenome Herzog. Chegou a tentar realizar um curta-metragem com o apoio de lojistas que conhecia em Munique, mas ninguém se interessou em dar dinheiro àquele menino tão precocemente decidido. Ele não se deixou abater e arrumou emprego noturno numa siderúrgica. Juntava tudo que podia para comprar negativos e realizar seu primeiro filme. Enquanto seus documentários possuem ares de ficção, muitos de seus filmes de ficção têm um pé no documentário. Um traço marcante da obra de Herzog é a preocupação com a linguagem e com a força da experiência e da natureza. Seus filmes narram histórias de heróis com sonhos impossíveis ou pessoas com talentos únicos em áreas obscuras.

Com uma história que se passa no século XVIII, o filme foi realizado numa antiga fábrica de vidros com os atores em estado de hipnose, e conta a história de uma pequena aldeia da Bavária, especializada na produção de cristais. Herzog se dedica a mostrar o processo de decadência e desintegração daquele povoado após a morte do principal vidraceiro, que carrega para o túmulo a fórmula do famoso vidro-rubi da região.
Os atores parecem saídos de um sonho ou, por vezes, parecem atuar em teatro universitário. Segundo o diretor, a técnica foi utilizada para obter um retrato estilizado da loucura e das alucinações.

27/01/09 terça-feira

20h – Sala Dilo Gianelli – Theatro Municipal

O Tambor

Volker Schlöndorff

Alemanha Ocidental/França/Ioguslávia/Polônia/1979/142 min

Sobre o diretor:

Volker Schlöndorff (nascido a 31 de março de 1939, em Wiesbaden) aprendeu longe de casa o ofício de fazer cinema, na Paris dos anos 1950. Depois de sair de um internato de jesuítas na Bretanha, Schlöndorff estudou na capital francesa Ciências Políticas e, a partir de 1959, foi assistente de direção de nomes como Louis Malle, Jean-Pierre Melville e Alain Resnais.

Contundente criação de Schlöndorff, adaptado do famoso romance de Günter Grass e com roteiro de Jean-Claude Carrière (roteirista de A Bela da Tarde), o filme acompanha a ascensão do nazismo por meio da rebelde e inusitada vida de Oskar, garoto que aos três anos de idade decide por um fim ao seu crescimento físico. Os anos se passam e ele continua tendo o corpo de uma criança, mas uma força interior capaz de desafiar regras e quebrar normas: sua voz destrói vidros a longa distância e seu tambor instala a confusão nos desfiles nazistas.

Palma de Ouro no Festival de Cannes de 1979
Oscar de melhor filmes estrangeiro em 1980

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