Osvaldo Censoni

Escrito por em 01 mar 2012 |

“(…) Fazer cinema . eis o seu ideal.
Era um jovem idealista. Seu nome: Oswaldo Censoni. Nascera em São Carlos. Naquela casa que fica ali, na rua Major José Inácio, esquina com a rua D Pedro II, bem defronte à igreja Metodista. Sempre demonstrou desde menino uma inteligência fora do comum e uma força de vontade extraordinária.
Na sua adolescência, entrementes estudava, praticava natação, jogava basquete, aprendia a voar, brevetando-se pelo Aero-Clube local. Naquele tempo, os jovens podiam fazer o Tiro de Guerra com menos de 18 anos e ele, aos dezessete, já o tinha feito com distinção. Gostava de rádio e, na Rádio São Carlos, exercia o cargo de locutor, de técnico de som e tomava parte nas peças irradiadas aos domingos. No entanto, vivo e cheio de vida, sua mente trabalhava constantemente e um ideal todo especial tomava conta de si, mantendo sempre a chama acesa dentro de seu peito: fazer cinema. Lembro-me de uma sua amizade sincera, que era Antonio Lisboa, até hoje seu amigo. Iam muitas vezes, durante a noite, no cemitério, lugar mais tranqüilo, para melhor idealizarem esse sonho, que um dia haveria de se concretizar.
Entretanto, Oswaldo um dia resolveu se mudar de São Carlos, indo à procura de melhores dias. Foi convidado para exercer o seu cargo, em Poços de Caldas, onde permaneceu algum tempo e indo depois, para São João da Boa Vista, como gerente da Difusora daquela cidade. Lá permaneceu por muito tempo; na cidade dos “Crepúsculos Maravilhosos” se casou , teve seus filhos e nela está até hoje. São felizes, ele e sua esposa Veva, seus filhos, sendo queridos pelo povo são-joanense.
Seu ideal porém jamais esmoreceu. De pesquisas em pesquisas, de estudos me estudos, chegou à conclusão de que poderia concretizar seu sonho. Compilou seus escritos, e com personagens adequados a eles e juntamente com um punhado de entusiastas do cinema, todos residentes em São João da Boa Vista, de acordo com a “Gianelli Filmes do Brasil” e com seus próprios recursos, deram início ao filme chamado “ João Negrinho”, título do citado livro de Jaçanã Altair. Esse filme, focalizava episódios do tempo da escravidão em fazendas paulistas, quase todas elas pertencentes aos ancestrais da esposa de Oswaldo e onde as cenas foram filmadas.
Essa iniciativa era acompanhada com grande interesse por toda a população são-joanense, que não poupava esforços para cooperar na produção da película. E, o mais interessante é notar-se que os artistas, os coadjuvantes, eram todos daquela cidade, escolhidos sob testes e muita habilidade. E surtiram o efeito desejado. O menino Santo Costa foi uma revelação espetacular. Com o argumento de Jaçanã Altair e tendo como diretor de fotografia o sr Dilo Gianelli e músicas de Geraldo de Oliveira, Oswaldo dirigiu o filme durante todo o tempo em que esteve rodando, na antiga Vera cruz. Participaram do elenco: Santo Costa, que foi o “João Negrinho, Walter Mancini Filho, Alberto Prado, Alba Ribeiro, Eglantina Rosa, Hugolino Michelazzo, Abdala de Aguiar, José Carlos Dias, Jandira Cassiano e outros extras, que emprestaram ao filme um brilho invulgar.
Sua primeira apresentação foi em São João da Boa Vista, cidade que rendeu ao grupo e ao seu direto, a sua melhor homenagem. Foi uj a verdadeira apoteose, em plena praça pública. Estava pois, lançado o filme, que rodava em todas as cidades do interior, bem como nas capitais, inclusive no Rio de Janeiro, sempre com grande aceitação. Em São Carlos, tivemos o prazer de assisti-lo no Cine Avenida, comovendo-nos por ter sido dirigido por nosso irmão. Em Maringá, onde na época, houve um festival de cinema, ele foi premiado, com elogios favoráveis.
Aí está, portanto, um exemplo de que querer é poder, e de constância e perseverança. Oswaldo chegou a concretizar aquele sonho bom, que nasceu em São Carlos anda mocinho.
Hoje sua carreira é outra, pois após ter sido fazendeiro, estudou direito e formou-se. Entretanto, foi feliz porque seu ideal foi realizado (…)”

Tânia (Anita Censoni)
Jornal A Folha – São Carlos edição n º 5.047 27/07/1978

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